Cross purchase vs entity purchase: qual formato escolher?

São os dois formatos principais para estruturar o seguro de liquidez societária no Brasil. A escolha entre eles afeta quem paga, quem recebe, como o capital é usado — e qual é o impacto tributário.

Por Diego Pacheco — Advogado OAB/MG 143.562 · Corretor de SegurosAtualizado em maio de 2025Leitura: 6 minutos
Neste artigo
  1. O que são cross purchase e entity purchase
  2. Como funciona o cross purchase
  3. Como funciona o entity purchase
  4. Comparativo: quando usar cada um
  5. Impacto tributário de cada formato

Quando um sócio morre, a empresa ou os sócios remanescentes precisam ter capital disponível para comprar as quotas dos herdeiros. O seguro de vida é o mecanismo de funding para essa operação — mas a forma como ele é estruturado varia conforme o formato escolhido.

O que são esses dois formatos

São as duas arquiteturas possíveis para estruturar o seguro de liquidez societária. A diferença fundamental está em quem contrata, quem paga e quem recebe o capital do seguro.

Como funciona o cross purchase

No cross purchase — ou compra cruzada — cada sócio contrata um seguro sobre a vida dos outros sócios. Se um morre, os sobreviventes recebem o capital e usam esse recurso para comprar as quotas dos herdeiros.

Exemplo com dois sócios (A e B):

Para sociedades com mais sócios, o número de apólices cresce: com 3 sócios são 6 apólices, com 4 são 12. Isso pode tornar a gestão complexa.

Como funciona o entity purchase

No entity purchase — ou stock redemption — a própria empresa contrata e paga o seguro, sendo também a beneficiária. Se um sócio morre, a empresa recebe o capital, recompra as quotas e as cancela ou redistribui.

Exemplo com dois sócios (A e B):

Uma única apólice por sócio — independentemente do número de participantes. Muito mais simples de administrar em sociedades maiores.

Atenção ao beneficiário

No cross purchase, os sócios são beneficiários pessoais — o capital vai para a pessoa física. No entity purchase, a empresa é beneficiária — o capital vai para o CNPJ. Isso tem impacto tributário e contábil significativo.

Quando usar cada formato

Cross purchase é mais indicado quando:

Entity purchase é mais indicado quando:

Impacto tributário de cada formato

A tributação é um fator importante na escolha e merece análise específica para cada caso. Como regra geral:

Por isso é indispensável que a escolha do formato seja feita com assessoria jurídica e tributária — não existe resposta universal.

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