Apuração de haveres: o que é e como afeta sua empresa

Quando um sócio sai — por morte, invalidez ou dissolução — a empresa precisa calcular o valor que deve a ele. Esse processo se chama apuração de haveres. E sem critérios definidos em contrato, ele vira litígio.

Por Diego Pacheco — Advogado OAB/MG 143.562 · Corretor de SegurosAtualizado em maio de 2025Leitura: 6 minutos
Neste artigo
  1. O que é apuração de haveres
  2. Como o valor é calculado
  3. Prazo e forma de pagamento
  4. O risco que ninguém calcula
  5. Como definir os critérios em contrato

A apuração de haveres é o processo legal pelo qual se calcula o valor econômico da participação de um sócio que está saindo da sociedade — seja por morte, invalidez, retirada voluntária ou exclusão.

O que é apuração de haveres

É a quantificação do que a empresa deve ao sócio retirante ou aos herdeiros do sócio falecido. O resultado é o valor que precisa ser pago para liquidar a participação societária.

A apuração é obrigatória sempre que há saída de sócio — independentemente do motivo. Mesmo quando o contrato prevê que os herdeiros não entram na sociedade, o valor econômico das quotas precisa ser apurado e pago.

Como o valor é calculado

O artigo 1.031 do Código Civil determina que o cálculo deve ser feito com base na situação patrimonial da sociedade na data do evento, por meio de balanço especialmente levantado.

Na prática, isso significa um balanço patrimonial elaborado especificamente para essa finalidade — o que frequentemente resulta em discussões sobre:

O ponto mais crítico

Sem critério objetivo definido em contrato, cada parte chega com um número diferente. A disputa sobre o valuation pode custar mais — em tempo e dinheiro — do que a própria diferença entre os critérios.

Prazo e forma de pagamento

O Código Civil estabelece prazo máximo de 90 dias para pagamento após a apuração — salvo disposição contratual diferente. O pagamento pode ser à vista ou parcelado, conforme definido no contrato social.

Para empresas sem reserva de caixa, 90 dias é um prazo extremamente curto para um pagamento que pode representar centenas de milhares ou milhões de reais.

O risco que ninguém calcula

Imagine uma empresa com dois sócios iguais, avaliada em R$ 3 milhões. Um sócio morre. A empresa tem 90 dias para pagar R$ 1,5 milhão aos herdeiros. Sem caixa, sem seguro, sem planejamento.

As consequências possíveis: empréstimo emergencial com juros altos, venda forçada de ativos, paralisia operacional por falta de capital de giro, ou litígio prolongado com os herdeiros.

Como definir os critérios em contrato

A proteção eficaz passa por dois elementos complementares:

O seguro resolve o problema financeiro. O contrato resolve o problema jurídico. Sem os dois juntos, um evento previsível vira crise.

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